domingo, 10 de janeiro de 2016

Auto Estima e Motivação


”Em todo adulto espreita uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa” (Jung 1981).
A motivação e autoestima são elementos essenciais para uma vida saudável e numa visão profunda, tem relação com o valor ou dignidade que uma pessoa atribui a si mesmo.
Hoje, em estudos na área da psicossomática, temos a confirmação de quanto ás emoções destrutivas, a baixa autoestima e a falta de motivação para a vida estão sendo a causa de adoecimento, gerando assim sofrimento para tantas pessoas.
A autoestima se forma a partir das primeiras experiências afetivas que as crianças estabelecem com os pais desde o nascimento. Entre os 03 e 05 anos de vida, a criança evolui para a consciência de si própria e daí surge à psique individual, sendo, nessa fase, fundamental que a criança viva relacionamentos saudáveis em ambientes saudáveis. (Jung – O desenvolvimento da personalidade -1981).
A autoaceitação, autoconfiança e amor próprio é que formam a autoestima, mas, para que isso aconteça primeiro é necessário que a criança aprenda a confiar, aceitar e ser aceito, amar e ser amado em seu ambiente familiar. A falta de amor na primeira infância gera um vazio que leva a pessoa a sempre procurar satisfação no externo, ou seja, fora de si e assim se torna engessada pela vergonha, ansiedade, culpa e perante a vida, sentindo-se sempre inadequada, impotente, paralisada ou compulsiva, passando a desenvolver movimentos de autodepreciação, o que talvez possa ser relacionado á situação alienante em que vive hoje o homem contemporâneo, na qual é tomado pelo desejo de poder, competitividade e consumismo. Com isso, o que predomina é o egoísmo que gera o medo e a angústia, interditando o surgimento do entusiasmo.
O sentimento de “poder” não necessariamente está ligado à autoestima, pois o poder é antagônico ao amor, onde está um não está o outro e então surgem os conflitos neuróticos e a ameaça de fracasso existencial.
A baixa autoestima pode levar a pessoa a desenvolver relações de poder como compensação.
O conceito de servir é que leva o homem a “ser”, assim como também o religar-se ao sagrado, pois a fé traz sentido e significado para a existência.
Para falar de autoestima é preciso citar também que existe em nós a Sombra (Imagem reprimida de nós mesmos, que queremos manter afastada da consciência) e a Persona (Adaptações que fazemos para nos adequarmos à sociedade em que vivemos). A consciência da nossa Sombra e das várias Personas que assumimos, proporcionam o equilíbrio e a harmonia necessária entre o que está dentro e o que está fora de nós, esse equilíbrio é importante para a manutenção da autoestima.
A união da autoestima com a motivação é que geram o entusiasmo de vivenciar algo ou colocar em prática algum plano.
Motivação é o processo responsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para alcançar uma determinada meta ou objetivo e está ligado ao conceito de movimento (Mover-se para dentro e para fora simultaneamente).
A motivação é uma força interna que emerge e sustenta as nossas ações importantes e por ser interna somente nós mesmos podemos senti-la. A automotivação é a única que se torna perene.
O homem nunca estará completamente satisfeito, sempre haverá uma nova necessidade, que irá dirigir novas condutas motivacionais e através da ação surge à motivação.
Por mais que consigamos realizar alguns dos nossos sonhos, sempre haverá mais algo a realizar, por mais que viajemos, sempre haverá lugares que gostaríamos de conhecer, por mais que amemos, sempre acharemos que podemos amar mais. Aos que se fecham para a vida, se negando a viver plenamente, a culpa e a falta será sempre uma carga e opressão. Aqueles que sabem que a busca nunca será finalizada, encontram satisfação em cada conquista e a culpa ou a falta sempre impulsionará.
“Aquele que tem um porque viver pode suportar quase todos os como viver” (Frankl, 1962).
Para ter autoestima e motivação é preciso ter um objetivo na vida e sentir prazer no que se propõe a fazer.
É preciso despertar para a capacidade de se auto modificar, porém toda mudança faz com que se tenha que sair da zona de conforto e sair da zona de conforto não é uma tarefa fácil, pois surge o medo do novo, culpa, punição, muitas vezes o sentimento de exclusão, etc.
A psicoterapia é um instrumento facilitador para que a pessoa caminhe no processo da individuação e para que consiga se reconhecer e se valorizar. Durante o processo de análise a pessoa faz um mergulho interno que pode lhe proporcionar o reconhecimento do seu potencial em buscar e superar desafios, com isso sua autoestima e motivação estarão alinhadas.
Ter autoestima e estar motivado é estar de bem com a vida!

Texto escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga Clínica – CRP: 06/87036 SP
Contato: (11) 3446-8110 e (11) 99825-6475

Fonte: O desenvolvimento da personalidade (Jung, 1981);
IJEP (Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa)

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