Contar histórias falsas de maneira recorrente
é uma doença conhecida como Mitomania ou Pseudolalia.
A Mitomania ou Pseudolalia está ligada ao
funcionamento psíquico e trata-se de uma compulsão (Impulso irresistível de
realizar determinado ato).
Em consultório de psicologia é comum recebermos pessoas
sofrendo com mentiras de namorados, maridos, filhos, amigos, etc. É preciso
saber que todas as pessoas contam mentira, porém essa se torna patológica
quando não se tem controle desse impulso.
Em alguns casos o comportamento de mentir se
torna tão habitual que aquele que a pratica passa a não mais refletir a
respeito, mentindo cada vez mais. É um ato inconsciente, diferente do caso de
um estelionatário, por exemplo, que tem consciência de que o que está fazendo é
errado.
Há pessoas que gostam de “contar vantagens”
perante amigos, namorados, familiares e ás vezes exageram no que estão contando
com a finalidade de impressionar, esse comportamento é considerado normal. O
Pseudolálico se perde de si próprio e vive em um mundo imaginário, costuma
tanto a mentir e inventar que acaba se perdendo criando uma realidade paralela
em que acredita, por exemplo, se alguém diz “Fui á praia!” a pessoa que sofre
de Pseudolalia automaticamente diz algo maior, do tipo “Fui á praia no Nordeste
e mergulhei com tubarões!”.
Mentiras até certo ponto são ferramentas
utilizadas para evitar situações que vão causar dor, existe a mentira
utilitária, compensatória, ou aquela que é dita com a finalidade de proteger.
Mentir pode ser também uma forma de fugir do controle de alguém que o ameaça,
uma maneira que a pessoa encontra de se sentir melhor diante de suas fraquezas,
seja qual for á intenção da mentira, existe o propósito de enganar e isso não é
bom.
Algumas pessoas mentem com frequência, mas
não acreditam em suas mentiras e tem as que acreditam que suas mentiras são
verdades. No primeiro caso a mentira ocorre por conta das experiências pessoais
que fazem com que a pessoa venha a achar que mentir é melhor do que dizer a
verdade, já o segundo caso reflete um sério transtorno psicológico.
Por trás de toda mentira, existe uma razão,
quem sofre desse problema tem dificuldade de lidar com sua realidade e tem
baixa autoestima.
Se a pessoa inventa situações o tempo todo,
precisa pensar nos motivos que a faz se sentir inferior aos outros ou então
pensar se está agindo assim para fugir de alguma responsabilidade, pensar se a
verdade lhe causa medo, se está mentindo porque acha que se falar a verdade não
será aceito ou que irá gerar no outro um comportamento aversivo ao qual não
conseguirá administrar, se está mentindo para ”maquiar” uma realidade difícil,
enfim, os motivos que desencadeiam a Mitomania ou Pseudolalia são muitos, podem
estar ligados a um histórico de conflitos familiares, insegurança emocional, traumas,
carência e até depressão
O Pseudolálico pode ter sido vítima de uma
educação rígida, autoritária e julgadora em que não teve espaço para expor seus
pensamentos e sentimentos, sendo tolhido de reconhecer sua autenticidade.
As pessoas tendem a se afastar de quem mente
constantemente, porém é preciso que esta receba ajuda, que seja feita sua
reinserção social aos poucos trazendo a pessoa à sua realidade com compreensão,
sem punição ou constrangimento.
A análise terapêutica irá trabalhar as causas
do problema, a autoaceitação, autoestima e o fortalecimento do self (Eu), portanto a
busca por uma ajuda psicológica é fundamental.
O tempo de duração da mentira é o tempo da
chegada da verdade e a verdade liberta e preenche o desejo de estabilidade do
homem.
A verdade é o porto seguro em meio ao mar
revolto.
O sentido da vida é a evolução, somos todos
formados por polaridades, somos o bem, o mal, o certo, o errado, a luz e a
sombra e despir-se das ilusões que muitas vezes criamos sobre nós mesmos requer
coragem e essa coragem é encontrada quando o olhar se volta para dentro de si
próprio.
“Quem
olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta!”
(Carl G. Jung).
Texto
escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga
Clínica – CRP: 06/87036 SP
Contato:
(11) 3446-8110 e (11) 99825-6475
Tipos Psicológicos. Carl G. Jung. Petrópolis.
Vozes (1991)

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