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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Personalidade Narcisista


A personalidade narcisista é um recurso do ego como sistema de defesa e advém de uma estrutura ressentida.
Há no narcisismo uma necessidade da alma em ser vista e reconhecida e um funcionamento egóico imaturo.
O Narcisista se apresenta sempre como superior aos outros, o mais inteligente, mais forte, mais bonito, mais capaz, seu contato com o outro é sempre permeado por críticas e ele tem a necessidade de sempre estar sendo admirado.
São características da Personalidade Narcisista a vaidade excessiva, introspecção, autosuficiência, onipotência, possessividade, impulsividade, submissão do outro aos seus desejos, autoafirmação à custa da invalidação do outro, dificuldade nos relacionamentos interpessoais, ênfase no fazer e não no ser, sentimento de vazio interior, necessidade de controle, baixa resistência à frustração, extrema ambição, sexualidade exacerbada, baixa tolerância a criticas e fantasias de ilimitado sucesso. O Narcisista também sente inveja de outras pessoas ou acredita ser sempre o alvo da inveja alheia, é uma pessoa extremamente criativa, sensível, mas permeada por um sentimento de raiva e está sempre se comportando como o dono da razão.
Usar o outro para obter alguma vantagem, mesmo que não seja intencionalmente, ignorar sentimentos alheios e menosprezar, também são próprios da personalidade Narcisista e ele age assim, pois depende do outro. O Narcisista é extremamente dependente do olhar do outro e menosprezar eleva a sua auto estima, ao mesmo tempo que ele necessita ser admirado e aprovado sempre.
Os sentimentos alheios são ignorados, pois o Narcisista não consegue percebê-los, portanto em seus relacionamentos exclui a compaixão, ternura e solidariedade, esses sentimentos somente são expressados quando o mesmo almeja obter alguma vantagem com isso.
Todas as pessoas apresentam características Narcísicas em maior ou menor grau, porém o problema se instala quando uma dessas características toma proporções muito grandes e intensas.
Na mitologia Narciso era filho de Cefiso e da Ninfa Liríope.
Liríope teve uma gravidez indesejada e muito penosa, então nasceu Narciso que era de grande beleza. Naquela cultura, competir com os deuses em termos de beleza era uma afronta, então Liríope consultou um adivinho local que lhe disse que Narciso só viveria se não visse sua própria imagem.
Extremamente belo Narciso era desejado por toda a Grécia, especialmente por Eco. Em um dia de verão, Narciso saiu para caçar e com sede aproximou-se de uma fonte de Téspias cujas águas eram cristalinas e ao debruçar-se sobre a água enxergou-se e se apaixonou por sua própria imagem. Eco chamou por ele, mas foi repelida e ele continuou fixado em seu reflexo.
Na busca por Narciso, encontraram no lugar de seu corpo, apenas uma delicada flor.
Este mito representa aquele que não realizou o processo de individuação, onde há um predomínio do ego, da consciência, ou seja, não houve um despertar.
A Personalidade Narcisista se desenvolve, quando na fase da infância, a pessoa não se sente emocionalmente apoiada por seus pais, então ela precisa se desenvolver “sozinho”.
A mãe do Narcisista normalmente é uma mãe pouco afetuosa e o pai imaturo.
Outras prováveis causas do desenvolvimento deste tipo de personalidade, são a valorização excessiva de talentos e beleza física, por pais ou familiares próximos, abuso emocional severo e o uso da criança para regular a auto estima de pais inseguros.
O Narcisista tem dificuldade de reconhecer suas feridas e tem sua sombra reprimida para beneficiar o ego.
É comum que ele tenha paralisações em sua vida profissional e afetiva, não conseguindo manter relacionamentos estáveis.
Existe uma auto cobrança muito grande, pois a pessoa tem a necessidade de passar uma imagem de ser perfeito, em troca da aprovação do outro. A perfeição do Narcisista é uma perfeição que ele pensa ter sido projetada pela mãe, porém é superficial, pois no fundo ele não acredita nestas projeções.
O tratamento para este transtorno em psicoterapia consiste em ajudar a pessoa a falar de seus medos e entrar em contato com conteúdos de sua sombra.
Técnicas expressivas podem ajudar, como por exemplo, o sandplay e desenho livre.
Muitas vezes o Narcisista procura ajuda apenas de profissionais de alto status em uma instituição de prestígio e ele tende a apresentar grandes expectativas de favores especiais sem assumir responsabilidades recíprocas.
A psicoterapia tem por finalidade auxiliar o paciente no caminho do autoconhecimento, individuação e desconstruir o Super Homem (Arquétipo do Herói), pois neste caso este é desenvolvido de forma não saudável.
Narciso simboliza o ego em sua luta para nascer, se diferenciar e se fortalecer, características que quando equilibradas, são indispensáveis ao bem estar psicológico!
 
Texto escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga Clínica – CRP: 06/87036 SP
Contato: (11) 3446-8110 e (11) 99825-6475
 
Fonte: Cavalcanti, Raissa. O mito de Narciso: O herói da consciência. São Paulo, Rosari 2003;
Henderson, J. L. O homem e seus símbolos, 1977;

domingo, 10 de janeiro de 2016

Auto Estima e Motivação


”Em todo adulto espreita uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa” (Jung 1981).
A motivação e autoestima são elementos essenciais para uma vida saudável e numa visão profunda, tem relação com o valor ou dignidade que uma pessoa atribui a si mesmo.
Hoje, em estudos na área da psicossomática, temos a confirmação de quanto ás emoções destrutivas, a baixa autoestima e a falta de motivação para a vida estão sendo a causa de adoecimento, gerando assim sofrimento para tantas pessoas.
A autoestima se forma a partir das primeiras experiências afetivas que as crianças estabelecem com os pais desde o nascimento. Entre os 03 e 05 anos de vida, a criança evolui para a consciência de si própria e daí surge à psique individual, sendo, nessa fase, fundamental que a criança viva relacionamentos saudáveis em ambientes saudáveis. (Jung – O desenvolvimento da personalidade -1981).
A autoaceitação, autoconfiança e amor próprio é que formam a autoestima, mas, para que isso aconteça primeiro é necessário que a criança aprenda a confiar, aceitar e ser aceito, amar e ser amado em seu ambiente familiar. A falta de amor na primeira infância gera um vazio que leva a pessoa a sempre procurar satisfação no externo, ou seja, fora de si e assim se torna engessada pela vergonha, ansiedade, culpa e perante a vida, sentindo-se sempre inadequada, impotente, paralisada ou compulsiva, passando a desenvolver movimentos de autodepreciação, o que talvez possa ser relacionado á situação alienante em que vive hoje o homem contemporâneo, na qual é tomado pelo desejo de poder, competitividade e consumismo. Com isso, o que predomina é o egoísmo que gera o medo e a angústia, interditando o surgimento do entusiasmo.
O sentimento de “poder” não necessariamente está ligado à autoestima, pois o poder é antagônico ao amor, onde está um não está o outro e então surgem os conflitos neuróticos e a ameaça de fracasso existencial.
A baixa autoestima pode levar a pessoa a desenvolver relações de poder como compensação.
O conceito de servir é que leva o homem a “ser”, assim como também o religar-se ao sagrado, pois a fé traz sentido e significado para a existência.
Para falar de autoestima é preciso citar também que existe em nós a Sombra (Imagem reprimida de nós mesmos, que queremos manter afastada da consciência) e a Persona (Adaptações que fazemos para nos adequarmos à sociedade em que vivemos). A consciência da nossa Sombra e das várias Personas que assumimos, proporcionam o equilíbrio e a harmonia necessária entre o que está dentro e o que está fora de nós, esse equilíbrio é importante para a manutenção da autoestima.
A união da autoestima com a motivação é que geram o entusiasmo de vivenciar algo ou colocar em prática algum plano.
Motivação é o processo responsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para alcançar uma determinada meta ou objetivo e está ligado ao conceito de movimento (Mover-se para dentro e para fora simultaneamente).
A motivação é uma força interna que emerge e sustenta as nossas ações importantes e por ser interna somente nós mesmos podemos senti-la. A automotivação é a única que se torna perene.
O homem nunca estará completamente satisfeito, sempre haverá uma nova necessidade, que irá dirigir novas condutas motivacionais e através da ação surge à motivação.
Por mais que consigamos realizar alguns dos nossos sonhos, sempre haverá mais algo a realizar, por mais que viajemos, sempre haverá lugares que gostaríamos de conhecer, por mais que amemos, sempre acharemos que podemos amar mais. Aos que se fecham para a vida, se negando a viver plenamente, a culpa e a falta será sempre uma carga e opressão. Aqueles que sabem que a busca nunca será finalizada, encontram satisfação em cada conquista e a culpa ou a falta sempre impulsionará.
“Aquele que tem um porque viver pode suportar quase todos os como viver” (Frankl, 1962).
Para ter autoestima e motivação é preciso ter um objetivo na vida e sentir prazer no que se propõe a fazer.
É preciso despertar para a capacidade de se auto modificar, porém toda mudança faz com que se tenha que sair da zona de conforto e sair da zona de conforto não é uma tarefa fácil, pois surge o medo do novo, culpa, punição, muitas vezes o sentimento de exclusão, etc.
A psicoterapia é um instrumento facilitador para que a pessoa caminhe no processo da individuação e para que consiga se reconhecer e se valorizar. Durante o processo de análise a pessoa faz um mergulho interno que pode lhe proporcionar o reconhecimento do seu potencial em buscar e superar desafios, com isso sua autoestima e motivação estarão alinhadas.
Ter autoestima e estar motivado é estar de bem com a vida!

Texto escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga Clínica – CRP: 06/87036 SP
Contato: (11) 3446-8110 e (11) 99825-6475

Fonte: O desenvolvimento da personalidade (Jung, 1981);
IJEP (Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Síndrome do pensamento acelerado

SPA é a mais nova sigla, trata-se da Síndrome do Pensamento Acelerado, uma patologia moderna que é a dificuldade em relaxar a mente e este é um sintoma vinculado a um quadro de transtorno da ansiedade.

As pessoas que sofrem da SPA estão em constante insatisfação existencial e possuem de forma recorrente o sentimento de apreensão, falta de memória, déficit de atenção, irritabilidade, alteração no sono, oscilações de humor, cansaço físico (Que se dá porque o córtex cerebral "rouba" a energia que deveria ser utilizada em músculos e outros órgãos).

A origem desta nova síndrome está no ritmo acelerado das grandes cidades, no acúmulo de informações que as pessoas acabam adquirindo em sua rotina, nos excessos de obrigações, cobranças e pressões principalmente no campo profissional, tal como o uso excessivo da tecnologia e redes sociais.

O stress que é um dos fatores desencadeantes da SPA sempre existiu no mundo, mas o nível de cobrança hoje mudou. A sociedade e o próprio acúmulo de tarefas acabam exigindo que as pessoas ultrapassem os seus limites ao invés de reconhecer e ir até o limite.

Quando nos estressamos liberamos adrenalina e esta contrai os vasos e causa fadiga as nossas células gerando assim, os lapsos de memória.

Você já se questionou onde está o seu estímulo estressante?

Esse questionamento é muito importante, assim como buscar trabalhar o stress em seu favor e a forma de fazer isso é em primeiro lugar procurar descobrir quais são as suas competências e trabalhar de acordo com as limitações dessas, pois se você for se exigir mais do que está dentro das suas competências, você irá se estressar.
É importante também analisar sempre o tamanho do seu stress e procurar se questionar se a situação em que se encontra é construtiva e se lhe levará há algum lugar favorável.

A SPA não deve ser confundida com a Hiperatividade, pois embora os sintomas sejam semelhantes, na hiperatividade há uma carga genética, a agitação e inquietação já se manifestam na primeira infância, enquanto na SPA a inquietação é construída aos poucos ao longo dos anos.

Tanto na SPA como na Hiperatividade a pessoa não pensa antes de agir e tem dificuldade de se colocar no lugar do outro e tanto em uma como na outra se faz necessário gerenciar e proteger as emoções, inclusive permitir-se errar e dar o tempo para que as coisas se resolvam é importante no processo de superação.

O acúmulo de informações para as crianças e uso excessivo da memória provoca agitações, as deixam irritadiças e faz com que elas cometam os mesmos erros de forma repetitiva.

Aos pais é aconselhável que não se excedam também ao presentear os seus filhos, pois isso meche com os mecanismos endorfínicos do cérebro, o que levará a criança e adolescente a precisar cada vez mais de produtos para terem prazer.

A SPA pode levar a pessoa á depressão, síndrome do pânico e outras doenças psicossomáticas.

O tratamento da SPA requer esforço para que seja adotado um novo estilo de vida, como por exemplo, dormir mais cedo, praticar atividade física, lazer, fazer pausas durante o dia, ouvir música, exercitar a contemplação da natureza, organizar compromissos em ordem de prioridades, controlar as emoções, buscar não cobrar excessivamente aos outros e a si mesmo, ter qualidade de vida, alimentação equilibrada, beber água, buscar a espiritualidade e tratamento psicoterapêutico que é o que vai fortalecer o seu campo bioenergético e sua essência.

Muitas vezes o nosso corpo "grita" através da fadiga, insônia e outros sintomas, portanto fique alerta, não deixe para ouvir o seu corpo só quando ele parar em um hospital, respeite-se, ame-se, respire, permita-se e viva a vida no momento presente, saboreie cada parte do seu tempo, esteja no seu comando, abandone tudo o que tira a sua paz , busque ter humildade não para ser menos que ninguém mas sim igual a alguém que está em busca de uma vida construtiva, saudável e seja sempre feliz.