terça-feira, 3 de maio de 2016

Procrastinação


Você tem o hábito de adiar seus compromissos e suas tarefas?
Esse artigo tem por objetivo esclarecer sobre o tema da procrastinação.
Procrastinar vem do latim e significa adiar, deixar para depois.
Procrastinar é diferente de “enrolar”, há pessoas que tem um tipo de personalidade em que demoram mesmo para começar algo, mas a procrastinação gera angústia e ansiedade, trata-se de um distúrbio psicológico comportamental, em que a pessoa tem o hábito de adiar o que tem para fazer. A procrastinação prevalece naquilo que é “dever”, ou seja, naquilo que a pessoa tem por “obrigação” cumprir, pois se gostamos da tarefa e sentimos prazer em executá-la, a tendência é não adiarmos.
Adiar uma coisa ou outra é normal, mas quando se torna um hábito é recomendado que a pessoa procure por ajuda psicológica para administrar esse problema que gera grande sofrimento.
A procrastinação acomete pessoas de todas as idades, são pessoas que tem dificuldade de realizar os objetivos ou vão acumulando tarefas até muitas vezes deixar de cumpri-las.
Por exemplo, digamos que você se programa para estudar para uma prova e tem uma apostila para ler durante sete dias, então você faz um cálculo de ler uma parte dela por dia, mas se adiar a leitura no primeiro dia, no seguinte terá acumulado a parte do dia anterior e do dia presente, com isso você já se sentirá desmotivado e se vier a adiar novamente, terá acumulado três partes, potencializando assim seu desânimo até que chega um ponto que não deseja ler mais nada.
Num outro exemplo, você tem um prazo de trinta dias para fazer sua matrícula em um curso, mas vai deixando para depois, adiando até que resolve fazer a matrícula no último dia ou chega a perder o prazo.
Algumas pessoas adiam determinadas tarefas, mas nesse meio tempo acabam executando outras que também estavam “paradas”, então escolhem fazer algo diferente no lugar daquela tarefa que precisava fazer.
Jung desenvolveu os tipos psicológicos e entre eles existe o intuitivo, que é aquela pessoa que está sempre na expectativa do que virá. A pessoa intuitiva, não se adapta bem a rotina, portanto tem mais dificuldade em se programar e cumprir o que é pré determinado.
Algumas sugestões podem ajudar a amenizar a procrastinação:
ü  Observe em que período do dia você rende mais para a execução de suas tarefas;
ü  Organize um ambiente agradável para a execução daquilo que é compromisso (Algumas pessoas, por exemplo, gostam de ouvir música enquanto trabalham);
ü  Elimine estímulos que te distraiam daquilo que precisa fazer;
ü  Faça uma lista das tarefas que precisa executar e escolha uma por vez, sem se colocar no dever de ter que cumprir todas e não pense muito para começar a fazer o que precisa;
ü  Estabeleça um prazo da melhor maneira que lhe convier desde que seja mais curto que o estipulado para a finalização;
ü  Se for preciso, divida a tarefa em partes.
A análise psicoterapêutica poderá auxiliar a pessoa a se conhecer, conhecer o seu ritmo e administrar a procrastinação.
Reflita sobre o que dói menos: executar a tarefa ou adiá-la?
Seja favorável a você!

Texto escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga Clínica
Contato: (11) 3446-8110 e (11) 99825-6475

Fonte: Carlos São Paulo – Instituto Junguiano da Bahia

terça-feira, 12 de abril de 2016

Quem Cala Sente!

Você é o tipo de pessoa que expressa espontaneamente o que você está pensando e sentindo?
 Muitas pessoas reprimem os seus sentimentos por receio de desagradar alguém, não ser aceito, para não se expor ou até na intenção de evitar conflitos.
Mesmo tendo uma opinião divergente, muitas pessoas preferem não expressar, porém esse silêncio acaba gerando muitos conflitos interiores, desconforto e culpa.
A palavra não expressada não é digerida, fica ”entalada” e ocasiona uma série de consequências negativas, pois o corpo encontra uma, outra maneira de expressar o sentimento reprimido, então o silenciar pode desencadear somatizações como:
·         Estresse;
·         Problemas estomacais;
·         Perda de Cabelo;
·         Agressividade;
·         Depressão;
·         Asma;
·         Ansiedade, etc.
É preciso pensar que o silencio também é revelador, tão revelador quanto falar sobre o sentimento, pois quem cala fica com a sensação de ter engolido um sapo e a linguagem corporal pode vir a demonstrar essa frustração e o outro também percebe que a pessoa que calou não expos tudo o que gostaria.
Para Jung, reprimir os sentimentos dá mais força à eles, possibilitando a formação de complexos.
O sentimento de raiva, por exemplo, quando fica guardado por muito tempo se potencializa e pode vir a ser expressado de uma maneira inadequada e desfavorável depois , enquanto que se o sentimento for reconhecido e admitido logo, pode vir a ajudar  a pessoa a se construir através deste .
Identificar os sentimentos é muito importante, assim como entrar em contato com eles é um ato de coragem!
Segundo Jung, impulsos autodestrutivos e sentimentos socialmente inaceitáveis fazem parte da natureza humana e os conteúdos que negamos ficam em nossa sombra.
Nossas emoções são a forma como expressamos nossa percepção e essas precisam ser respeitadas.
Todas as pessoas, tem o direito de ter sua própria opinião, conceito, valor e anseio e reprimir sentimentos significa negar isso.
Muitas pessoas negam seus sentimentos até para si próprias, escondem a sua verdade e escolhem sofrer caladas impulsionadas pelo medo de desagradar e vir a perder o afeto daquela pessoa a qual ela irá contrariar ou para proteger o outro da frustração.
As pessoas que estão vivenciando um relacionamento abusivo também tendem a se calar.  Um relacionamento abusivo se dá quando um dos lados usa seu poder seja ele físico, psicológico ou emocional para controlar o outro e assim o coloca também diante de situações humilhantes e constrangedoras, usando da superioridade, possessividade, chantagem emocional e manipulação.
O problema de expressão verbal pode ter inicio na infância, quando começamos a construir a base dos nossos relacionamentos.
Se a criança é criada em uma estrutura em que não há muito diálogo em casa, em que os pais tem, pouco tempo ou disposição para lhe ouvir, se a criança convive com pessoas que se  irritam facilmente,  ela pode incorporar o conceito de que o que tem a dizer não é importante e enfurece os outros.
Tanto homens como mulheres, crianças devem de alguma maneira exercitar a expressão dos sentimentos sem pensar que isso significa demonstrar fragilidade.
Quando a boca cala o corpo fala. Quando a boca fala o corpo sara!

Texto escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga Clínica – CRP: 06/87036 SP
Contato: (11) 3446-8110 e (11) 99825-6475

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Estresse e Síndrome de Burnout


Na medida em que o homem foi se desenvolvendo intelectualmente e que surgiram os avanços tecnológicos, a competitividade, sobrecarga de trabalho, pressão e consumismo ele foi se esquecendo de cuidar da sua relação com o corpo.
 As questões psicológicas se expressam no corpo que adoece quando a psique se desequilibra.
O bem estar psicológico e o equilíbrio entre a vida particular e profissional são fundamentais para garantir benefícios ao corpo e as relações interpessoais, porém as pessoas estão cada vez mais estressadas (Estresse=Desgaste/Tensão).
A pessoa submetida a estresse crônico tem a sua qualidade de vida comprometida, tende a manter o foco no elemento estressor, pois seu raciocínio fica prejudicado, se torna agressiva, irritada e impaciente.
O estresse crônico é gerado por um estresse prolongado e excessivo e pode acometer a todas as pessoas, independente da classe social, sejam elas donas de casa ou profissionais de qualquer área de trabalho, porém é mais comum em pessoas jovens e idealistas.
Os profissionais que atendem diretamente e de forma intensa a outras pessoas podem ser acometidas por um estresse denominado Burnout.
A Síndrome de Burnout é uma Síndrome de esgotamento profissional que é desencadeada por uma grande pressão interna.
Burnout é um conjunto de sintomas que se manifestam em resposta ao estresse laboral crônico. Os sintomas que se apresentam são: exaustão, falta de energia, indiferença as pessoas com as quais convive, ironia, insatisfação, desmotivação, falta de recurso emocional, tensão, cansaço, fadiga, baixa autoestima, negativismo, frieza e despersonalização.
Quando a pessoa está sofrendo deste tipo de estresse crônico ela vai de um extremo de sentir que tem que fazer tudo, para um outro extremo de não conseguir fazer nada, pois a pessoa perde a força e começa a evitar as coisas que ela tem pra fazer, tudo passa a ser um grande problema e ela perde a esperança.
As relações com colegas de trabalho, pacientes, clientes e pessoas do convívio de modo geral, passam a se deteriorar. Quando a paciência começa a faltar é hora de procurar ajuda.
A partir da Síndrome de Burnout o corpo pode passar a gerar sintomas psicossomáticos como, por exemplo, dor de cabeça, dor de estômago, alergias, infecções, diabetes, pressão alta, acidente vascular cerebral, ataque cardíaco, depressão, etc. As manifestações somáticas revelam desarmonia.
Os principais fatores que desencadeiam a Síndrome de Burnout são a falta de limites e insegurança pessoal que faz com que a pessoa queira provar a todo o momento a sua competência.
A Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse aponta que o Brasil é o segundo país no mundo com maior nível de estresse.
Para que o problema seja solucionado é recomendado que a pessoa que sofre desta Síndrome se dê a permissão de “desligar-se” de tudo o que lhe gera estresse por pelo menos algumas horas e passe a encontrar prazeres no seu dia, além de tentar dormir o suficiente, pois o sono inadequado afeta negativamente o humor. É muito importante que o estressado fortaleça sua vida social, que procure por divertimento em suas horas de lazer, que busque administrar o seu tempo conciliando atividades de trabalho com lazer, que alimente-se bem, que busque ter um estilo de vida saudável, que aprenda técnicas de relaxamento, que busque por danças circulares que também é uma técnica terapêutica eficaz e principalmente que procure ajuda de um psicólogo afim de reestabelecer o amor próprio, trabalhar traumas, complexos muitas vezes inconscientes e resgatar a relação com o próprio corpo.
Em psicoterapia, o paciente irá exercitar a construção do seu caminho e identificar padrões que podem estar atrapalhando o seu desenvolvimento, como por exemplo, uma personalidade rígida e em psicoterapia passará também a ter maior consciência de si mesmo e do “aqui agora”.
As pessoas que convivem com alguém que sofre de estresse crônico recomendo que a incentive a procurar ajuda psicológica, que não a julgue e que não seja reativo ao seu estresse pois isso só irá potencializar o problema. É valido também ajudar a pessoa estressada a estimular a criatividade com a finalidade de sair da rotina e procurar soluções para os fatores estressantes.

Texto escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga Clínica – CRP: 06/87036 SP
Contato: (11) 3446-8110 e (11) 99825-6475


Fonte: Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse




domingo, 6 de março de 2016

Depressão


Você já passou por períodos na vida em que se sentiu muito triste e desanimado, sem achar graça em nada, sem apetite?
 Em algum momento da sua vida você se sentiu mais irritado e nervoso que o normal?
Já passou por períodos em que sentia vontade de dormir muito ou teve insônia, sentiu dificuldade de tomar decisões, teve ideações negativas, sentimento de culpa, arrependimento e muito cansaço?
Essas características estão relacionadas á depressão que é um sério problema de saúde pública e merece atenção. A depressão pode resultar em perda de memória, oscilação no peso, dificuldade de raciocínio, falta de criatividade, desinteresse por amor, por sexo, desinteresse em conviver socialmente e alteração na forma como se percebe o mundo.
A depressão acomete principalmente as mulheres e também pode estar presente na infância.
A diferença entre tristeza e depressão é que a tristeza sempre tem um motivo e esse sentimento é expresso devido à ocorrência de algum fato (Ex. Morte de algum ente querido, perda de algo importante, término de relacionamento, etc). Todo ser humano se sente triste diante de um acontecimento e isso é normal.
Quando o sentimento de tristeza é intenso e se prolonga pode se tratar de um indício de depressão.
O Transtorno Depressivo é apontado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como responsável por 30% dos casos de suicídio no mundo e é a quarta doença mais onerosa.
O transtorno depressivo interfere significativamente na diminuição da qualidade de vida, da produtividade e da capacitação social do indivíduo.
A depressão no sentido simbólico é a expressão da dor da alma que se perdeu de sua própria natureza. Pode ser vista como estado de aprisionamento em que a pessoa deixa de viver a sua verdade. Perder-se de si mesmo é o gatilho fundamental da depressão.
Os seres vivos estão sempre se transformando de forma física, psíquica, sociocultural e quando as transformações não encontram espaço para se expressar, surge o sofrimento.
A depressão acontece também como forma de adaptação à provável fracasso de apego, proteção, segurança, que se expressa nos afetos e na relação com o corpo ou status social.
A pessoa pode se deprimir também por características da sua própria personalidade como orgulho, perfeccionismo, ambição, ou até por desvio de uma raiva para si com a finalidade de preservar o objeto amado.
Estudos apontam também uma relação entre depressão e burnout, uma síndrome caracterizada por problemas psíquicos causados por excesso de trabalho.
Fatores genéticos e deficiência nos neurotransmissores somados a questões como estresse também podem vir a desencadear a depressão.
O transtorno depressivo é classificado pelo CID-10 (Código Internacional de Doenças) como leve, moderado ou grave, depende da intensidade e importância clínica dos sintomas.
A Distimia é um sintoma de um tipo de depressão, sua intensidade varia e geralmente é duradoura. As características da Distimia são a diminuição da autoestima, fadigabilidade, dificuldade em tomar decisões, dificuldade de concentração, mau humor crônico, irritabilidade e sentimento de desesperança.
Na Distimia a pessoa não percebe os sintomas, pois ela acha que o que sente é normal, pois sempre foi assim.
A depressão psicótica é uma depressão grave em que ocorrem episódios de delírios e alucinações associados aos sintomas depressivos.
No estado depressivo grave há uma ausência de respostas ás solicitações do ambiente, o paciente se imobiliza e se recusa a se alimentar, pode vir a se desidratar e morrer.
Neste caso os sintomas tem relação com a baixa autoestima, sentimento de desesperança e incapacidade.
A depressão tende a se extinguir ou ser amenizada substancialmente a partir do momento em que o paciente se propõe a receber ajuda psicoterapêutica e até mesmo psiquiátrica e medicamentosa em alguns casos.
 A psicoterapia vai auxiliar o paciente a resgatar sua identidade a elaborar os seus complexos, melhorar sua comunicação social, a integrar sua sombra, trabalhar sua autocrítica, buscar sua individuação, trabalhar o perdão se for necessário, resgatar emoções positivas que devem ser cultivadas e a encontrar razão e sentido para a vida.
No tratamento da depressão indica-se também que o paciente faça atividades físicas, já foi comprovado em diversas pesquisas que caminhar, como qualquer outro exercício físico preserva as células produtoras de dopamina que são fundamentais no controle da depressão.
Em psicoterapia o paciente encontra a possibilidade de religar-se a si mesmo, com isso dominar a depressão se torna possível.

Texto escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga Clínica – CRP: 06/87036 SP
Contato: (11) 3446-8110 e (11) 99825-6475

 
Fonte: Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais – Paulo Dalgalarrondo – Ed. Artmed
DSM-IV
OMS (Organização Mundial da Saúde)
O Homem e seus Símbolos – Henderson, J. L. – 1977.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Reiki no tratamento de doenças

O Reiki é uma terapia energética japonesa que vem sendo considerado um instrumento importante em vários tipos de tratamentos, traz benefícios físicos e emocionais para pacientes de diversas doenças como por exemplo o câncer  entre outras.
Reiki é uma terapia humanizadora e não trata a doença, mas sim a pessoa. No caso dos pacientes com câncer, o Reiki auxilia na redução da ansiedade e efeitos colaterais da quimioterapia, além de ser um método que vem sendo muito utilizado em pré e pós operatório.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) incluiu o Reiki em suas orientações normativas sobre o tratamento da dor e assim alguns hospitais como, por exemplo, o Sírio Libanês e Albert Einstein de São Paulo,  estão utilizando o Reiki como tratamento complementar, portanto, o Reiki não compete com a medicina tradicional mas sim ocupa um lugar de complementariedade.
O método Reiki não tem vínculo religioso e independe de crença, trata-se de uma técnica que atua no campo bioenergético aumentando as defesas do corpo, estimulando o sistema imunológico para a superação de infecções, inflamações, traumas, além de promover o rejuvenescimento das células, etc.
A função do Reiki é harmonizar o organismo, promovendo equilíbrio das energias, despertar de consciência, proporcionar relaxamento físico e mental e ajuda a superar bloqueios como angústia, medos, insônia, estresse e outros.
O Reiki é energia vital transmitida através da imposição das mãos do terapeuta e sua prática é tão simples quanto sua técnica que promove transformações.

Texto escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga Clínica e Terapêuta 
Contato: (11) 3446-8110 e (11) 99825-6475

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Personalidade Narcisista


A personalidade narcisista é um recurso do ego como sistema de defesa e advém de uma estrutura ressentida.
Há no narcisismo uma necessidade da alma em ser vista e reconhecida e um funcionamento egóico imaturo.
O Narcisista se apresenta sempre como superior aos outros, o mais inteligente, mais forte, mais bonito, mais capaz, seu contato com o outro é sempre permeado por críticas e ele tem a necessidade de sempre estar sendo admirado.
São características da Personalidade Narcisista a vaidade excessiva, introspecção, autosuficiência, onipotência, possessividade, impulsividade, submissão do outro aos seus desejos, autoafirmação à custa da invalidação do outro, dificuldade nos relacionamentos interpessoais, ênfase no fazer e não no ser, sentimento de vazio interior, necessidade de controle, baixa resistência à frustração, extrema ambição, sexualidade exacerbada, baixa tolerância a criticas e fantasias de ilimitado sucesso. O Narcisista também sente inveja de outras pessoas ou acredita ser sempre o alvo da inveja alheia, é uma pessoa extremamente criativa, sensível, mas permeada por um sentimento de raiva e está sempre se comportando como o dono da razão.
Usar o outro para obter alguma vantagem, mesmo que não seja intencionalmente, ignorar sentimentos alheios e menosprezar, também são próprios da personalidade Narcisista e ele age assim, pois depende do outro. O Narcisista é extremamente dependente do olhar do outro e menosprezar eleva a sua auto estima, ao mesmo tempo que ele necessita ser admirado e aprovado sempre.
Os sentimentos alheios são ignorados, pois o Narcisista não consegue percebê-los, portanto em seus relacionamentos exclui a compaixão, ternura e solidariedade, esses sentimentos somente são expressados quando o mesmo almeja obter alguma vantagem com isso.
Todas as pessoas apresentam características Narcísicas em maior ou menor grau, porém o problema se instala quando uma dessas características toma proporções muito grandes e intensas.
Na mitologia Narciso era filho de Cefiso e da Ninfa Liríope.
Liríope teve uma gravidez indesejada e muito penosa, então nasceu Narciso que era de grande beleza. Naquela cultura, competir com os deuses em termos de beleza era uma afronta, então Liríope consultou um adivinho local que lhe disse que Narciso só viveria se não visse sua própria imagem.
Extremamente belo Narciso era desejado por toda a Grécia, especialmente por Eco. Em um dia de verão, Narciso saiu para caçar e com sede aproximou-se de uma fonte de Téspias cujas águas eram cristalinas e ao debruçar-se sobre a água enxergou-se e se apaixonou por sua própria imagem. Eco chamou por ele, mas foi repelida e ele continuou fixado em seu reflexo.
Na busca por Narciso, encontraram no lugar de seu corpo, apenas uma delicada flor.
Este mito representa aquele que não realizou o processo de individuação, onde há um predomínio do ego, da consciência, ou seja, não houve um despertar.
A Personalidade Narcisista se desenvolve, quando na fase da infância, a pessoa não se sente emocionalmente apoiada por seus pais, então ela precisa se desenvolver “sozinho”.
A mãe do Narcisista normalmente é uma mãe pouco afetuosa e o pai imaturo.
Outras prováveis causas do desenvolvimento deste tipo de personalidade, são a valorização excessiva de talentos e beleza física, por pais ou familiares próximos, abuso emocional severo e o uso da criança para regular a auto estima de pais inseguros.
O Narcisista tem dificuldade de reconhecer suas feridas e tem sua sombra reprimida para beneficiar o ego.
É comum que ele tenha paralisações em sua vida profissional e afetiva, não conseguindo manter relacionamentos estáveis.
Existe uma auto cobrança muito grande, pois a pessoa tem a necessidade de passar uma imagem de ser perfeito, em troca da aprovação do outro. A perfeição do Narcisista é uma perfeição que ele pensa ter sido projetada pela mãe, porém é superficial, pois no fundo ele não acredita nestas projeções.
O tratamento para este transtorno em psicoterapia consiste em ajudar a pessoa a falar de seus medos e entrar em contato com conteúdos de sua sombra.
Técnicas expressivas podem ajudar, como por exemplo, o sandplay e desenho livre.
Muitas vezes o Narcisista procura ajuda apenas de profissionais de alto status em uma instituição de prestígio e ele tende a apresentar grandes expectativas de favores especiais sem assumir responsabilidades recíprocas.
A psicoterapia tem por finalidade auxiliar o paciente no caminho do autoconhecimento, individuação e desconstruir o Super Homem (Arquétipo do Herói), pois neste caso este é desenvolvido de forma não saudável.
Narciso simboliza o ego em sua luta para nascer, se diferenciar e se fortalecer, características que quando equilibradas, são indispensáveis ao bem estar psicológico!
 
Texto escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga Clínica – CRP: 06/87036 SP
Contato: (11) 3446-8110 e (11) 99825-6475
 
Fonte: Cavalcanti, Raissa. O mito de Narciso: O herói da consciência. São Paulo, Rosari 2003;
Henderson, J. L. O homem e seus símbolos, 1977;