Mostrando postagens com marcador raiva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador raiva. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Raiva

Esse artigo vem tratar sobre a raiva, emoção que vem sendo constante entre a humanidade.
Raiva é uma emoção e não um sentimento, assim como o medo e o nojo por exemplo.
A palavra emoção vem do latim (movere) que significa colocar em movimento, nesse caso, colocar em movimento de dentro para fora.
O sentimento é duradouro como por exemplo a culpa, insegurança, mágoa, entre outros e tem função valorativa, racional e consciente enquanto que a emoção é involuntária e primitiva. A emoção pode gerar o sentimento.
Jung em diversos escritos relata que as emoções são sinônimo de afeto e podem tomar posse do nosso ego por um certo tempo pois estariam constelando alguns de nossos complexos.
Se numa situação a nossa cabeça começa a ferver, o rosto queimar e o coração bater forte, significa que fomos tomados por alguma emoção e que algum complexo foi ativado.
Jung em sua psicologia analítica descreve três tipos de raiva:
·         A raiva arquetípica: Que é quando o espaço do ego é tirado, quando somos tolhidos, contrariados, ou quando algo nos é negado.
·         A contrariedade a auto alienação: Acontece quando a pessoa com baixa auto- estima constrói uma auto- imagem baseada em complexos e personas mas essa imagem não é real, quando essa é contrariada, desperta-se a raiva.
·         As situações em que nos colocamos, quando fazemos, ou dizemos algo que na verdade não estamos com vontade de fazer ou dizer, nos auto- sabotando e assim gerando a raiva.
Com a evolução social e cultural, o homem vem deixando de prestar atenção à sua linguagem interna e a sua biologia, tendo dificuldade em identificar corretamente a emoção no momento em que é vivenciada, por esse motivo, muitas vezes acaba precipitando ações que podem causar prejuízos a si mesmo e perdas sociais a longo prazo.
A raiva não é uma emoção ruim, ela mostra onde está a ferida, faz a pessoa agir, e é uma forma de defesa também. A emoção de raiva deve ser assumida e expressa pois quando há o embotamento, uma mágoa pode ser gerada, porém há diversas maneiras de expressar a raiva de modo favorável, sem gerar arrependimentos e a psicoterapia é uma ferramenta de auxílio muito eficaz nesse caso.
As crianças também devem ser orientadas a reconhecer e entender suas emoções, pois é saudável para o seu desenvolvimento. Se o adulto esconde suas emoções as crianças também irão embotar e isso não é bom.
Gritar, dizer palavrões e ofensas pode ser considerada uma liberação da tensão interna provocada por mudanças orgânicas que a raiva desperta, assim como fechar os lábios com força e mover os braços simulando ataque.
Algumas pessoas direcionam a raiva para si mesmas e a somatização nesse caso é inevitável.
Doenças diversas são geradas quando a emoção é represada, como hipertensão, alterações cardíacas, degenerações orgânicas, elevação da taxa de açúcar no sangue e câncer.
Para que se tenha benefício é muito importante interpretarmos situações e direcionarmos recursos de modo que a raiva seja transformada e estrategicamente utilizada como algo construtivo.
A ajuda de um psicólogo é fundamental nesse processo quando a pessoa não consegue sozinha.
Muitas pessoas alcançam o êxito como resposta a uma provocação, humilhação ou perseguição, utilizando a energia da raiva para se movimentar e lutar por uma vida ou um mundo melhor, para não ter mais que passar pela situação terrível.
Walt Disney por exemplo, passou por muitos maus tratos por parte de seu pai em sua infância, sofrimento contínuo e trabalho pesado, dirigiu ambulância para a Cruz Vermelha na Europa durante a primeira Guerra Mundial, anos depois criou seus primeiros personagens e foi roubado e sua resposta a toda essa difícil vivência foi a criação do espetacular personagem Mickey Mouse.
Portanto a raiva quando compreendida e expressa de forma correta, pode ser convertida numa força enorme capaz de mover o mundo!
 
Texto escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga Clínica
CRP: 06/87036 SP
Contato: (11) 3446-8110 ou (11) 99825-6475
Facebook: Psicóloga Helen Sellmer
 
Referencias: DARWIN Charles. A expressão das emoções no homem e nos animais- São Paulo- Cia das Letras. 2009;
Como a mente funciona. São Paulo: Cia das Letras.1998
Fisiologia das emoções (Marino JR, R – SP – Savier, 1975
Estudos sobre  Psicologia Analítica. O. C. – Vol. 7 – Petrópolis, 1982

domingo, 5 de junho de 2016

Perdão

Por toda a nossa vida passamos por uma sucessão de problemas e sofrimentos, estamos inseridos em um meio social e dependemos das relações interpessoais, passamos por pressões e sentimos o impacto das injustiças que são cometidas conosco e também com pessoas que são próximas a nós, portanto a mágoa, raiva e outros sentimentos negativos se tornam inevitáveis diante dessas adversidades, mas perdoar  nos leva a paz pois é uma atitude de resiliência que preserva a nossa saúde física e mental.
Perdoar muitas vezes não é tarefa fácil e alguns precisam de um tempo para conseguir, porém é importante colocar empenho em abrir pelo menos uma fresta da porta para que o perdão venha a acontecer.
O perdão está ligado às emoções positivas que devemos cultivar para que não sejamos infelizes.  Ao lembrarmos da mágoa que o outro nos causou, fazemos um resgate de todas as emoções negativas que já experimentamos quando o fato aconteceu e esse processo pode se tornar um círculo vicioso por anos  e o fato não é esquecido nunca fazendo assim com que o cérebro fique preso na questão que gera obstáculos para o progresso, desgaste físico e emocional, além de levar à depressão e alterações no sistema imunológico que acarretará no aparecimento de doenças.
Não adianta ficar sentado, esperando que um dia de forma mágica as emoções negativas desapareçam, a instalação da amargura precisa ser evitada e para isso é necessário ressignificar o que passou mas não quer dizer apagar o fato acontecido, nada apaga as lembranças ruins, mas quando procuramos dar um novo sentido para o passado conseguimos nos diferenciar e entendemos que a raiva, ressentimento, ódio, são forças que podem se transformar em luz para nós mesmos.
Perdoar não é um ato passivo, muito pelo contrário. Perdoar é um dom que envolve tomar algo de si mesmo e dá-lo ao outro para que lhe pertença e essa é uma atitude íntima e transcendente (Perdoar = Doar).
A sede de vingança enfraquece a serenidade e o raciocínio coerente, leva a uma falsa satisfação além de ser um ato de imaturidade.
A psicoterapia pode auxiliar o paciente no processo do perdão, pois é uma importante ferramenta de auto conhecimento e transformação.
Em psicoterapia o paciente relata o seu sofrimento e tudo o que estava oculto até então e já nesse movimento acontece uma mudança na energia psíquica e o paciente já não se sente sozinho.
Depois do relato, vem à descoberta de possibilidades e potencialidades, um entendimento do que causou o sofrimento, fraquezas e emoções.
Num terceiro passo, o paciente começa a agir e se preparar para assumir uma nova atitude perante a vida e assim acontece a individuação e crescimento.
Um diálogo entre consciente e inconsciente acontece em psicoterapia, assim como a busca por soluções e o processo de cura se torna atingível e consciente para o paciente.
Existe um método criado por Everett Worthington (Psicólogo que pesquisou sobre o perdão) que auxilia muito aos que desejam perdoar.  Nesse método, Everett aborda que para facilitar o perdão é preciso procurar não dar ênfase ao acontecimento, recordar a ofensa sem potencializá-la e respirar profundamente quando estiver recordando.
Pensar do ponto de vista da pessoa que lhe causou o dano, quais os motivos que o levaram a cometer tal ação.
Lembrar-se dos momentos em que se sentiu culpado e foi perdoado.
Afirmar para si mesmo que pode ficar acima da mágoa, rancor e vingança e pensar quais os benefícios que serão proporcionados ao seu corpo cultivando os sentimentos negativos.
Convido a todos os leitores deste artigo a pensar que todos nós temos limitações e que podemos também aprender e evoluir muito com as ofensas e injustiças que nos acontecem, pois através delas adquirimos ferramentas que nos preparam para a vida e nos humanizam.
“Somente aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos“ – Carl G. Jung.

Texto escrito por: Helen Cristina Sellmer Zeviani
Psicóloga Clínica
Contato: (11) 3446-8110 e (11) 99825-6475


Fonte: Processo REACH – Everett Worthington Jr.